Projeto “Saberes da Terra” valoriza conhecimentos ancestrais e fortalece aprendizado na EE Zumbi dos Palmares
Por Leila Aparecida da Silva
Na Escola Estadual Zumbi dos Palmares, aprender vai muito além dos livros didáticos. Em um movimento de valorização da cultura, da ancestralidade e dos conhecimentos populares, estudantes do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) participaram do Projeto - Saberes da Terra e Cura do Povo: Medicina Caseira Quilombola e o Uso das Ervas Medicinais na Comunidade Quilombola Furnas do Dionísio uma iniciativa pedagógica que trouxe para a sala de aula os saberes tradicionais relacionados às ervas medicinais e ao cuidado com a terra.
Desenvolvido sob a coordenação da professora Leila Aparecida da Silva, o projeto nasceu com o objetivo de aproximar o currículo escolar da realidade dos estudantes, reconhecendo que muitos deles carregam conhecimentos herdados de seus pais, avós e da comunidade onde vivem.
“A escola precisa dialogar com a vida dos estudantes. Quando valorizamos os saberes que eles já possuem, a aprendizagem se torna mais significativa e afetiva”, destaca a professora coordenadora.
Aprender com a terra e com a ancestralidade
O projeto começou com rodas de conversa, em que os estudantes compartilharam experiências e memórias sobre o uso de plantas medicinais em suas casas e comunidades. A partir desse momento, foram escolhidas algumas ervas para estudo, pesquisa e cultivo.
Os estudantes da EJA gravaram vídeos explicando as propriedades curativas das plantas, seus usos e formas de preparo. A atividade estimulou a oralidade, a pesquisa e o protagonismo dos educandos, mostrando que a tecnologia também pode ser uma aliada no registro e na preservação dos saberes ancestrais.
Já os estudantes do Ensino Fundamental participaram ativamente do plantio e da construção de uma horta medicinal na escola, trabalho esse coordenado pela professora Liriane Santos da Silva durante as aulas de TVT (Terra-Vida-trabalho) e cooperação da professoras Regina Theodoro Martins e Joiceane Abadia dos Santos durante as Práticas de Convivência e Socialização. A interação entre as diferentes etapas de ensino fortaleceu o respeito, a troca de experiências e a aprendizagem colaborativa.
Da pesquisa à prática
Além do cultivo, o projeto envolveu o processo de desidratação, catalogação e exposição das ervas. Os estudantes pesquisaram os nomes populares e científicos, propriedades terapêuticas e cuidados necessários no uso de cada planta. Com as pesquisas, produziram folders em trabalho colaborativo entre os professores Letícia Barreto Rosa, Jéssica da Silva Espíndola, Vagner Gomes Vilela envolvendo os Componentes Curriculares de: Língua Portuguesa, Leitura e Produção Textual, Tecnologia e Cidadania Digital, Ciências
Todo esse material foi organizado, apresentado e distribuído durante o Fest Campo, evento promovido pela escola com o objetivo de valorizar a população do campo, seus costumes, sua cultura e suas tradições.
Durante a culminância, um dos momentos mais marcantes foi a roda de conversa com uma guardiã dos saberes locais e estudante da EJA, Dona Lurdete dos Santos da Silva que compartilhou experiências de vida, práticas de cura e benzimentos e histórias transmitidas por gerações.
Educação que valoriza identidade e pertencimento
Mais do que ensinar sobre plantas medicinais, o projeto “Saberes da Terra” mostrou que a escola pode ser um espaço de fortalecimento da identidade cultural e do pertencimento.
Ao trazer os conhecimentos tradicionais para a sala de aula, a escola reconhece que aprender também é ouvir os mais velhos, respeitar a ancestralidade e compreender a relação entre território, cultura e vida.
A iniciativa reforça a importância de uma educação contextualizada, especialmente nas escolas do campo e quilombola, onde os saberes da comunidade fazem parte da formação integral dos estudantes.
Com ações como essa, a EE Zumbi dos Palmares reafirma seu compromisso com uma educação humanizada, inclusiva e conectada às raízes de seu povo.
Saberes da Terra: quando a escola cultiva conhecimento, colhe identidade e transforma vidas.